domingo, 28 de fevereiro de 2010

Oração para Nossa Senhora Aparecida

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Ó, Virgem Maria, abençoada sois vós pelo Senhor Deus Altíssimo entre todas as mulheres da terra.

Vós sois a glória de Jerusalém, vós a alegria de Israel, vós a honra do nosso povo.

Salve, ó, Virgem, honra de nossa terra, a quem chamamos com o belo nome de Aparecida.

Quem poderia contar, ó, doce Mãe, quantas graças, durante tantos anos,

vós dispensastes ao povo brasileiro, compadecida de nossos males?

Quisemos cingir vossa cabeça sagrada com uma coroa de ouro, que vos é devida por tantos títulos;

continuais a dobrar-vos benignamente às nossas preces.

Quando erguemos aos céus nossas mãos suplicantes, ouvi clemente os nossos rogos,

ó, Virgem; conservai nossas almas afastadas da culpa e, por fim, conduzi-nos ao céu.

Salvação, honra e poder a Aquele que, uno e trino, nos fulgores de seu trono celeste,

governa e rege todo o universo.

Nossa Senhora da Conceição Aparecida, rogai por nós.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Nossa Senhora Aparecida

Nossa Sra. De Aparecida



nossa-senhoraaparecidaA história de Nossa Senhora da Conceição Aparecida tem o seu início pelos meados de 1717, quando chegou a notícia que o Conde de Assumar, D. Pedro de Almeida e Portugal, Governador da Província de São Paulo e Minas Gerais, iria passar pela Vila de Guaratinguetá, a caminho de Vila Rica, hoje cidade de Ouro Preto (MG).
Convocados pela Câmara de Guaratinguetá, os pescadores Domingos Garcia, Filipe Pedroso e João Alves saíram à procura de peixes no Rio Paraíba. Desceram o rio e nada conseguiram. Depois de muitas tentativas sem sucesso, chegaram ao Porto Itaguaçu.
João Alves lançou a rede nas águas e apanhou o corpo de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição sem a cabeça. Lançou novamente a rede e apanhou a cabeça da mesma imagem. Daí em diante, os peixes chegaram em abundância para os três humildes pescadores.

Durante 15 anos seguidos, a imagem ficou com a família de Felipe Pedroso, que a levou para casa, onde as pessoas da vizinhança se reuniam para rezar. A devoção foi crescendo no meio do povo e muitas graças foram alcançadas por aqueles que rezavam diante da imagem.
A fama dos poderes extraordinários de Nossa Senhora foi se espalhando pelas regiões do Brasil. A família construiu um oratório, que logo se tornou pequeno. Por volta de 1734, o Vigário de Guaratinguetá construiu uma Capela no alto do Morro dos Coqueiros, aberta à visitação pública em 26 de Julho de 1745. Mas o número de fiéis aumentava e, em 1834, foi iniciada a construção de uma igreja maior (actual Basílica Velha).

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No ano de 1894, chegou a Aparecida um grupo de padres e irmãos da Congregação dos Missionários Redentoristas, para trabalhar no atendimento aos romeiros que acorriam aos pés da Virgem Maria para rezar com a Senhora "Aparecida" das águas.
A 8 de Setembro de 1904, a Imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida foi coroada, solenemente, por D. José Camargo Barros. No dia 29 de Abril de 1908, a igreja recebeu o título de Basílica Menor.
Vinte anos depois, a 17 de Dezembro de 1928, a vila que se formara ao redor da igreja no alto do Morro dos Coqueiros tornou-se Município. E, em 1929, nossa Senhora foi proclamada RAINHA DO BRASIL E SUA PADROEIRA OFICIAL, por determinação do Papa Pio XI.

Com o passar do tempo, a devoção a Nossa Senhora da Conceição Aparecida foi crescendo e o número de romeiros foi aumentando cada vez mais. A primeira Basílica tornou-se pequena.
Era necessária a construção de outro templo, bem maior, que pudesse acomodar tantos romeiros. Por iniciativa dos missionários Redentoristas e dos Senhores Bispos, teve início, em 11 de novembro de 1955, a construção de uma outra igreja, actual Basílica Nova.
Em 1980, ainda em construção, foi consagrada pelo Papa João Paulo ll e recebeu o título de Basílica Menor. Em 1984, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) declarou oficialmente a Basílica de Aparecida Santuário Nacional, "maior Santuário Mariano do mundo".

nossa senhoraO padre Francisco da Silveira, que escreveu a crônica de uma Missão realizada em Aparecida em 1748, qualificou a imagem da Virgem Aparecida como “famosa pelos muitos milagres realizados”. E acrescentava que numerosos eram os peregrinos que vinham de longas distâncias para agradecer os favores recebidos. Mencionamos aqui três grandes prodígios ocorridos por intercessão de Nossa Senhora Aparecida.
O primeiro prodígio, sem dúvida alguma, foi a pesca abundante que se seguiu ao encontro da imagem. Não há outras referências sobre o fato, a não ser aquela da narrativa do achado da imagem: “E, continuando a pescaria, não tendo até então pego peixe algum, dali por diante foi tão abundante a pesca, que receosos de naufragarem pelo muito peixe que tinham nas canoas, os pescadores se retiraram as suas casas, admirados com o que ocorrera”.


Entretanto, o mais simbólico e rico de significativo, sem dúvida, foi o milagre das velas pela sua íntima relação com a fé. Aconteceu no primitivo oratório do Itaguaçu, quando o povo se encontrava em oração diante da imagem.
Numa noite, durante a reza do Terço, as velas apagaram-se repentinamente e sem motivo, pois não ventava na ocasião. Houve espanto entre os devotos e, quando Silvana da Rocha procurou acendé-las novamente, elas se acenderam por si, prodigiosamente.
Significativo também é o prodígio das correntes que se soltaram das mãos de um escravo, quando este implorava a protecção da Senhora Aparecida. Existem muitas versões orais sobre o fato. Algumas são ricas em pormenores. O primeiro a menciona-lo por escrito foi o padre Claro Francisco de Vasconcelos, em 1828.

A pesca milagrosa

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A Câmara Administrativa de Guaratinguetá decidiu e pronto. A época não era favorável à pescaria, mas os pescadores que se virassem. O Conde tinha que provar do peixe do Rio Paraíba.
E a convocação foi lida em toda a redondeza. João Alves, Domingos Garcia e Felipe Pedroso, moradores de Itaguaçu, pegaram seus barcos, suas redes e se lançaram na difícil tarefa. Remaram a noite toda sem nada pescar.
No Porto de Itaguaçu, lançaram mais uma vez as redes. João Alves sentiu que a sua rede pesava. Serão peixes? Puxou-a. Não. Não eram peixes. Era o corpo de uma imagem. Mas... e a cabeça, onde estava? Guardou o achado no fundo do barco. Continuaram tentando achar peixes.
De repente, na rede do mesmo pescador, uma cabeça enegrecida da imagem. João Alves pegou o corpo do fundo do barco e aproximou-o da cabeça. Justinhos. Aquilo só podia ser milagre. Benzeram-se e enrolaram os pedaços num pano. Continuaram a pescaria. Agora os peixes sabiam direitinho o endereço de suas redes. E foram tantos que temeram pela fragilidade dos barcos...

O milagre das velas

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Depois que chegaram da pescaria onde encontraram a Senhora, Felipe Pedroso levou a imagem para sua casa conservando-a durante cinco anos.
Quando de sua mudança para o bairro da Ponte Alta, deu a imagem a seu filho Athanásio Pedroso, que morava no Porto de Itaguaçu bem perto de onde seu pai Felipe Pedroso, João Alves e Domingos Garcia haviam encontrado a imagem.
Athanásio fez um altar de madeira e colocou a Imagem Milagrosa da Senhora Aparecida. Aos sábados, seus vizinhos se reuniam para rezar um Terço em sua devoção. Em certa ocasião, ao rezar o Terço, duas velas se apagaram no altar de Nossa Senhora, o que era muito estranho, pois aquela noite estava muito calma e não havia motivo para o acontecimento.
Silvana da Rocha, que no dia acompanhava o Terço, quis acender as velas, porém elas se acenderam sem que ninguém as tocasse, como um perfeito milagre. Dessa data em diante, a Imagem Milagrosa de Nossa Senhora Aparecida deixou de pertencer à família de Felipe Pedroso para ficar pertencendo a todos nós, devotos da Santa Milagrosa.

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A Imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida foi encontrada no Rio Paraíba na segunda quinzena de Outubro de 1717. É de terracota, isto é, argila que, depois de modelada, é cozida em forno apropriado, medindo 40 centímetros de altura.
Hipoteticamente, ela teria, originalmente, uma policromia, como era costume na época, mas não há documentos que comprovem. Quando foi pescada, o corpo estava separado da cabeça e, muito provavelmente, sem a policromia original, devido aos anos em que esteve mergulhada nas águas e no lodo do rio.
A cor acanelada com que hoje é conhecida deve-se ao fato de ter sido exposta, durante anos, ao picumã das chamas das velas e dos candeeiros. Seu estilo é seiscentista, como atestam alguns especialistas que a estudaram.
Entre os que confirmam ser a Imagem do Século XVII estão o Dr. Pedro de Oliveira Ribeiro Neto, os monges beneditinos do mosteiro de São Salvador, na Bahia, Dom Clemente da Silva Nigra e Dom Paulo Lachenmayer.
Finalmente, em 1978, após o atentado que a reduzira em quase duzentos fragmentos, foi encaminhada ao Prof. Pietro Maria Bardi – na época director do Museu de Arte de São Paulo –, que a examinou, juntamente com o Dr. João Marinho, coleccionador de imagens brasileiras.
Foi totalmente reconstituída pela artista plástica Maria Helena Chartuni, na época restauradora do Museu de Arte de São Paulo. Ainda conforme estudos dos peritos mencionados, a Imagem foi moldada com argila paulista, da região de Santana do Parnaíba, situada na Grande São Paulo.
O mais difícil foi determinar o autor da pequena imagem, pois não está assinada ou datada. Assim, após um estudo comparativo, os peritos chegaram à conclusão de que se tratava de um escultor, discípulo do monge beneditino Frei Agostinho da Piedade, e também seu colega de Ordem, Frei Agostinho de Jesus.
Caracterizam seu estilo: forma sorridente dos lábios, queixo encastoado, tendo, no centro, uma covinha; penteado, flores em relevo nos cabelos, broche de três pérolas na testa e porte empinado para trás.
Todos esses detalhes se encontram na Imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida e, por isso, concluíram os peritos, Dom Clemenente da Silva Nigra e Dom Paulo Lachenmayer, que a Imagem foi esculpida pelo monge beneditino Frei Agostinho de Jesus.

Coroa e Manto

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A partir de 8 de Setembro de 1904, quando foi coroada, a Imagem passou a usar, oficialmente, a coroa ofertada pela Princesa Isabel, em 1884, bem como o manto azul-marinho.


Fontes de consulta:
a) Livro "A Mensagem da Senhora Aparecida", Pe. Júlio J. Brustoloni, C.Ss.R., p. de 28 a 30, Aparecida, Editora Santuário, 1994;
b) Informações prestadas pela restauradora da Imagem, artista plástica Maria Helena Chartuni.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Oração à Yemanjá.

Yemanjá

Divina Mãe, protectora dos pescadores e
que governa a humanidade,
dai-nos protecção.
Oh! Doce Yemanjá, limpai as nossas auras,
livrai-nos de todas as tentações.
És a força da natureza,
linda deusa do amor e bondade (faça o pedido).
Ajude-nos descarregando as nossas
matérias de todas as impurezas e
que a vossa falange nos proteja,
dando-nos saúde e paz.
Que assim seja feita a vossa vontade.


Yemanjá



Yemanjá, Rainha dos Mares. A grande força, característica essa que está indiscutivelmente vincada no carácter, génio e personalidade dos seus filhos.
O facto de Yemanjá ser a Criação, faz com que as sua filhas tenham um instinto extremamente maternal. Yemanjá a Mãe protectora, que transmite a todos a bondade, a confiança, Yemanjá a grande conselheira. A Mãe que tem sempre os seus braços abertos para acolher todos os que a procuram e que dela necessitam . A porta da sua casa está sempre aberta a todos. Faz-nos lembrar aquela Mãe amorosa que junta sempre os filhos dos outros com os seus, tornando-os todos seus nem que seja apenas por momentos ou para todo o sempre. Os filhos de Yemanjá carregam o mesmo temperamento e instinto protector. Cuidam dos seus tutelados com muito amor.
Geralmente são calmos e tranquilos, excepto quando sentem os seus filhos ameaçados ou em perigo. É por norma bastante discreto e tem muito bom gosto. Gosta de Vestir bem apesar de não ligar nada as modas, desde que esteja limpo e se sinta bem, está tudo bem para ele. É muito directo, muito franco e não admite mentiras. Zanga-se quando ofendido, todos os filhos que têm como Pai de Cabeça o Orixá Ogum, tornam-se muito agressivos e tomam atitudes de carácter mais radical. Muito diferentes dos filhos que têm como Pai de Cabeça o Orixá Oxóssi, normalmente estes são pessoas mais calmas, tranquilas, e reagem sempre com bastante tolerância. O Grande defeito dos filhos de Yemanjá é mesmo o Ciúme. Pois são extremamente ciumentos com tudo o que é seu, sobre tudo das coisas que estão sob a sua guarda.
YEMANJÁ – Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora dos Navegantes. É a deusa dos grandes rios, dos mares e dos oceanos. A grande mãe da Umbanda e dos Orixás. Representa a vida e a geração em todos os sentidos.
Saudação: Odoyá Yemanjá! Adoci-yaba! – significa: Salve a Senhora da Água!
COR : Azul Claro
AMALÁ: 7 velas brancas e 7 azuis, champanhe, manjar branco, fitas azuis e rosas brancas ou outro tipo de flor branca
Local de entrega:
Na praia
ERVAS: Pata de Vaca, Folhas de Lágrima de N.Senhora, Erva Quaresma, Trevo e Chapéu de Couro
Paulo de Oxalá

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Oração ao Preto Velho






Oração ao Preto Velho


Assim seja, Preto-Velho que estás em nosso pensamento e ocupas um lugar de destaque em nosso coração. Abençoado seja o teu nome no céu, assim como de redenção foi o teu sofrimento na terra. Benditas sejam as tuas agonias físicas, assim como para sempre sejam louvadas as tuas angústias morais. Intercede por nós junto ao Pai Misericordioso, tu que já galgaste as escaladas luminosas da espiritualidade, e comunica-nos essa força inquebrantável que elevou teu espírito aos paramos celestiais, onde te encontras. Anima-nos a prosseguir, impávidos e serenos, através dos obstáculos da vida e combate, em nós, o desanimo traiçoeiro que, como banzo fatídico, nos aniquila o ser. Ajuda-nos a vencer na vida material, assim como quando em vida tu ajudaste, com teu labor escravo, o teu senhor de engenho. Ensina-nos a ter, com tua experiência milenar, a calma, a resignação, a compreensão que muito necessitamos e que estejamos sempre contigo, assim como Jesus te tem na Santa Glória. A Ti, bondoso Preto-Velho, oferecemos esta prece, reafirmando a nossa fé, a nossa crença e a nossa esperança na tua força espiritual sempre a serviço do bem. Protege-nos, querido Preto-Velho que tanto sofreste quando de tua passagem pela terra. Dá-nos coragem que, às vezes, nos falta, para que possamos prosseguir a nossa jornada, e algum dia tenhamos merecimento para receber as graças Divinas. Assim seja.

Attila Nunes

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

OXALÁ





OXALÁ

Oxalá é o Orixá maior na umbanda, o criador de tudo e de todos, no sincretismo é Jesus Cristo. Orixá masculino, de origem Ioruba (nagô) bastante cultuado no Brasil, onde é considerado a divindade mais importante do panteão africano.

A sua linha directa na Umbanda são os Caboclos do Oriente e médicos, esta linha é conhecida por algumas pessoas por "Linha da Cura". A sua cor vibratória é o branco e por vezes o dourado.

Oxalá tem como dia consagrado a Sexta-feira.


Oxalá não é mais poderoso que os outros Orixás como é crença de algumas pessoas, nem superior hierarquicamente, mas merece o maior respeito por representar a figura do patriarca, do chefe da família. Oxalá, traz consigo a memória de outros tempos, as soluçõe s já encontradas nesses tempos para casos semelhantes, merecendo, portanto, o nosso respeito.

Oxalá tem como elemento natural o ar, apesar de poder manipular os quatro elementos.

A sua vibração representa a bondade, o amor, a paz enfim todos os sentimentos puros.

Ele é o responsável pela existência de todos os seres do céu e da terra. A sua cor é o branco, porque ela é a soma de todas as cores.

Tem como principal campo de actuação a religiosidade dos seres, aos quais ele envia o tempo todo as suas vibrações para estimular a fé individual de caca um, portanto Oxalá é sinónimo de fé. A vibração de Oxalá habita em cada um de nós, e em toda parte de nosso corpo, porém velada pela nossa imperfeição, pelo nosso grau de evolução.

Orixá associado à criação do mundo e da espécie humana. No Candomblé, Apresenta-se de duas maneiras: moço – chamado Oxaguiam, e velho – chamado Oxalufam. O símbolo do primeiro é uma idá (espada), o do segundo é uma espécie de cajado em metal, chamado ôpá xôrô. A cor de Oxaguiam é o branco levemente mesclado com azul, a de Oxalufam é somente branco. O dia consagrado para ambos é a sexta-feira.

OXALÁ É JESUS ?

A imagem de Jesus Cristo é uma figura obrigatoriamente em lugar de honra em todos os Centros, Terreiros ou Tendas de Umbanda, está sempre num local elevado, geralmente destacada com iluminação intencionalmente preparada, de modo a formar uma espécie de aura de luz difusa à sua volta. Homenageia-se Oxalá na representação daquele que foi o “filho directo de Deus entre os homens”; permanece, no íntimo desse sincretismo, a herança da tradição africana: “Jesus foi um enviado; foi carne, nasceu, viveu e morreu entre os homens”; Oxalá coexistiu com a formação do mundo; Oxalá já era antes que Jesus o fosse.



quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

PRECE AOS PRETOS VELHOS


PRECE AOS PRETOS VELHOS





Louvados sejam todos os pretos-velhos.
Louvados sejam vós que formais o santíssimo rosário da Virgem Maria.

Santas Almas Benditas, protectoras de todos aqueles que se encontram em
aflição. A vós recorremos espíritos puros pelos sofrimentos, grandiosos pela
humildade e bem aventurados pelo amor que irradiam, socorre-me pois
encontro-me em aflição.

Concedam-me meus bondosos pretos-velhos a graça de (pede-se a graça
que deseja alcançar) através da vossa intercessão junto a Santa Virgem
Maria, santíssima mãe de Deus e de todos nós.

Dai-me meus pretos-velhos um pouco de vossa humildade, de vosso
amor, e de vossa pureza de pensamentos, para que possa cumprir a minha
missão na Terra, seguindo todos os vossos exemplos de bondade.

Louvadas sejam todas as Santas Almas Benditas.
Tenham piedade de nós.

Assim seja.



ponto Preto Velho quer Trabalhar




Preto Velho quer trabalhar



Tira o cipó do caminho, oi criança

Deixa a vovó atravessar

Tira o cipó do caminho, oi criança


Deixa a vovó atravessar


Eles vem chegando


São os preto velhos que vem trabalhar


Eles vem chegando


São os preto velhos que vem trabalhar




Ponto Preto Velho




Preto Velho



Preto Velho quando vem
Ele Não vem de a pé

Preto Velho quando vem
ele não vem de a pé

Preto Velho vem montado
nas costas do jacaré

Preto Velho vem montado
nas costas do jacaré



Pretos Velhos





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O Preto Velho é uma das entidades mais carismáticas da Umbanda. É muito sábio e domina muitos elementos da natureza, é um grande especialista em ervas para chás, banhos e simpatias. O Preto Velho é uma entidade que trabalha nas leis de Oxalá. É detentor de uma linha com as sete falanges.. É uma entidade que desfaz demandas, embora pareça extremamente calmo e sereno, pois tem luz divina espiritual que emana de Deus em toda a sua plenitude.Quando se fala de preto-velho, estamos a falar de uma grande linha (grande faixa vibratória), onde espíritos afins se “Juntam” para cumprirem sua missão.Alguns desses espíritos foram ex escravos. Fazem parte também desta linha espíritos que não foram escravos nem negros, mas que por motivos de afinidade escolheram a Umbanda para cumprirem a sua missão. (Velho, Vovô e Vovó) são nada mais nada menos o termo que usamos para de certa forma sinalizar a sua experiência, pois por norma sempre que pensamos em alguém mais velho, como um vovô ou uma vovó partimos do princípio que essa pessoa já tenha vivido muito mais tempo do que nós, consequentemente adquirindo assim mais experiência de vida, tendo muito mais sabedoria e coisas para contar, principalmente se essa mesma pessoa já viveu o tempo suficiente para ter aprendido a ser paciente e compreensiva. No mundo espiritual é bastante parecido, pois a grande característica dessa linha é o aconselhamento as pessoas. E é por esse motivo que dizemos carinhosamente que eles são os grandes “Psicólogos da Umbanda”. A Sua indumentária e apetrechos são na realidade bastante simples, pois apenas necessitam da atenção e da concentração do seu médium durante a consulta. Usam bengala, cachimbo, lenços, toalhas e por vezes cigarro de palha.A sua forma de incorporação é bastante compacta, sem dançar muito. A vibração começa com um peso nas costas e uma inclinação do tronco para frente, com os pés fixados no chão e depois sentam-se e praticam a sua caridade. Mas podemos encontrar alguns que se mantém em pé.
Os Preto-Velhos dançam de forma subtil, normalmente apenas com movimentos dos ombros ou quando estão sentados, com as pernas.Ajudam-nos a compreender que a prática da caridade, é vital para nossa evolução espiritual.Existem Algumas diferenças entre Pretos Velhos, essas diferenças devem-se ao facto dos Preto-velhos serem trabalhadores de Orixás e levarem consigo para os trabalho a essência do Orixá para quem trabalham.
Pretos Velhos de Ogum
São mais rápidos na sua forma incorporativa e sem muita paciência com o médium e as vezes com outras pessoas que estão cambonando e até consulentes.
São directos na sua maneira de falar, não enfeitam muito suas mensagens, as vezes parece que estão brigando, para dar mesmo o efeito de “choque”, mais são no fundo extremamente bondosos tanto para com seu médium e para as outras pessoas.São especialistas em consultas encorajadoras, ou seja, mera dose de coragem e segurança para aqueles indecisos e “medrosos”. É fácil pensar nessa característica pois Ogum é um Orixá considerado corajoso.

Pretos Velhos de Oxum

São mais lentos na forma de incorporar e até de falar. Passam para o médium uma serenidade inconfundível.
Não são tão directos para falar, enfeitam ao máximo a conversa para que uma verdade dolorosa possa ser escutada de forma mais amena, pois a finalidade não é “chocar” e sim, fazer com que a pessoa reflicta sobre o assunto que está sendo falado.
São especialistas em reflexão, nunca se sai de uma consulta de um Preto-velho de Oxum sem um minuto que seja de pensamento interior. As vezes é comum sair até mais confuso do que quando entrou, mais é necessário para a evolução daquela pessoa.

Pretos Velhos de Xangô

São raros de ver, contudo devemos também conhece-los.
A sua incorporação é rápida como as de Ogum.
Assim como os caboclos de Xangô, trabalham para causas de prosperidade sólida, bens como casa própria, processo na justiça e realizações profissionais.
Passam seriedade em cada palavra dita. Cobram bastante de seus médiuns e consulentes.

Pretos Velhos de Yansã
São rápidos na sua forma de incorporar e falar. Assim como os de Ogum, não possuem também muita paciência para com as pessoas.
Essa rapidez é facilmente entendida, pela força da natureza que os rege, e é essa mesma força lhes permite uma grande variedade de assuntos com os quais ele trata, devido a diversidade que existe dentro desse único Orixá.
Esses Preto-velhos retribuem ao médium principalmente a defesa, são rápidos na ajuda. Se cobram a honestidade do seu médium no momento da consulta, não admitem que desconfiem dele (médium).
Mesmo assim eles também possuem uma especialidade.
Geralmente suas consultas são de impacto, trazendo mudança rápida de pensamento para a pessoa. São especialistas também em ensinar directrizes para alcançar objectivos, seja pessoal, profissional ou até espiritual.
Entretanto, é bom lembrar que sua maior função é o descarrego. É limpar o ambiente, o consulente e demais médiuns do terreiro, de eguns ou espíritos de parentes e amigos que já se foram, e que ainda não se conformaram com a partida permanecendo muito próximos dessas pessoas.

Pretos velhos de Oxóssi

São os mais brincalhões, suas incorporações são alegres e um pouco rápidas.
Esses Preto-velhos geralmente falam com várias pessoas ao mesmo tempo.
Possuem uma especialidade: A de receitar remédios naturais, para o corpo e a alma, assim como emplastos, banhos e compressas, defumadores, chás, etc… São verdadeiros químicos em seus tocos. – Afinal não podiam ser diferentes, pois são alunos do maior “químico” – Oxossi.

Pretos Velhos de Nanã

São raros, assim como os filhos desse Orixá.
Sua maneira de incorporação é de uma forma mais envelhecida ainda. Lenta e muito pesada. Enfatizando ainda mais a idade avançada.
Falam rígido, com seriedade profunda. Não brincam nas suas consultas e prezam sempre o respeito, tanto do médium quanto do consulente, e pessoas a volta como: cambonos e pessoas do terreiro em geral e principalmente do pai ou da mãe de santo.
Cobram muito do seu médium, não admitem roupas curtas ou transparentes, mesmo para médiuns homens. Seu julgamento é severo. Não admite injustiça com seu médium.
Costumam se afastar dos médiuns que consideram de “moral fraca”. Mais prezam demais a gratidão, de uma forma geral. Podem optar por ficar numa casa, se seu médium quiser sair, se julgar que a casa é boa, digna e honrada.
É difícil a relação com esses guias, principalmente quanto há discordância, ou seja, não são muito abertos a negociação no momento da consulta.
São especialistas em conselhos que formem moral, e entendimento do nosso carma, pois isso sem dúvida é a sua função.
Actuam também como os de Iansã e Omulú, conduzindo Eguns.

Pretos Velhos de Obaluayê

São simples na sua forma de incorporar e de falar. Exigem muito de seus médiuns, tanto na postura quanto na moral.
Defendem sempre quem está certo, independente de quem seja, mesmo que para isso ganhem a antipatia dos outros.
Agarram-se a seus “filhos” com total dedicação e carinho, não deixando no entanto de cobrar e corrigir também. Pois entendem que a correcção é uma forma de amar.
Devido a elevação e a antiguidade do Orixá para o qual eles trabalham, acabam transformando suas consultas em conselhos totalmente diferenciados dos demais Preto-velhos. Ou seja, se adaptam a qualquer assunto e falam deles exactamente com a precisão do momento.
Como trabalha para Obaluaê, e este é o “dono das almas”, esses Preto-velhos são geralmente chefes de linha e assim explica-se a facilidade para trabalhar para vários assuntos.
Sua “visão” é de longo alcance para diversos assuntos, tornando-os capazes de traçar projectos distantes e longos para seus consulentes. Tanto pessoal como profissional e até espiritual.
Assim exigem também fiel cumprimento de suas normas, para que seus projectos não saiam errado, para tanto, os filhos que os seguem, devem fazer passo a passo de tudo que lhe for pedido, apenas confiando nesses Preto-velhos. Quando o filho não faz isso, costumam tirar o que já lhe deu, para que o mesmo repense a importância desse Preto-velho em sua vida.
Gostam de contar histórias para enriquecer de conhecimento o médium e as pessoas a volta.
Não trabalham para saúde (essa função é do Erê de Obaluaê). Salvo se essa doença for proveniente de “trabalhos feitos – macumba”.

Pretos Velhos de Yemanjá

São belos em suas incorporações, contudo mantendo uma enorme simplicidade. Sua fala é doce e meiga.
Possuem a paciência das mães e a compreensão também. Cobram pouco de seus médiuns, apenas que eles cumpram a caridade sempre por amor nunca por obrigação.
Sua especialidade maior é sem dúvida os conselhos sobre laços espirituais e familiares.
Gostam também de trabalhar para fertilidade de um modo geral, e especialmente para as pessoas que desejam engravidar.
Utilizando o movimento das ondas do mar, são excelentes para descarregos e passes.
Cobram dos seus médiuns que lutem para ter um casamento feliz e sólido, pois para eles só assim poderão ajudar a outras pessoas nesse sentido, já que seu médium já vive essa realidade.

Pretos Velhos de Oxalá

São bastante lentos na forma de incorporare tornam-se belos principalmente pela simplicidade contida em seus gestos.
Raramente dão consulta, sua maior especialidade é o passe de energização.
Cobram também bastante de seus médiuns, principalmente no que diz respeito a prática de caridade, assiduidade no terreiro e vaidade.

Formação da Falange dos Pretos-Velhos na Umbanda

Depois de mortos, passaram a surgir em lugares adequados, principalmente para se manifestarem. Ao se incorporarem, trazem os Pretos-Velhos os sinais característicos das tribos a que pertenciam. Os Pretos-velhos são nossos Guias ou Protectores, mas no Candomblé, são considerados Eguns (almas desencarnadas), e e decorrente disso, só têm fio de conta (Guia) na Umbanda. Usam branco ou preto e?branco. Essas cores são usadas porque, sendo os Pretos-Velhos almas de escravos, lembram que eles só podiam andar de branco ou xadrez preto e branco, em sua maioria. Temos também a Guia de lágrima de Nossa Senhora, semente cinza com uma palha dentro. Essa Guia vem dos tempos dos cativeiros, porque era o material mais fácil de se encontrar na época dos escravos, cuja planta era encontrada em quase todos os lugares. O dia em que a Umbanda homenageia os Pretos-Velhos é 13 de maio, que é a data em que foi assinada a Lei Áurea (libertação dos escravos).
Os nomes dos Pretos Velhos mais conhecidos:
Pai Agostinho; Pai Joaquim; Pai Francisco; Pai Maneco; Pai João; Pai José; Pai Mané; Pai Antônio; Pai Roberto; Pai Cipriano; Pai Tomaz; Pai Jobim; Pai Roberto; Pai Guiné; Pai Jacó; Pai Cambinda; Pai Benedito; Pai Joaquim; Pai Ambrósio; Pai Fabrício; Tio Antônio; Velho LiberatoVô Benedito; etc…
femininos:
Vó Cambinda; Vó Bibiana; Vó Cecília; Vó Irina; Vó Maria Conga; Vó Catarina; Vó Ana; Vó Sabina; Vó Quitéria; Vó Benedita; Vó Iriquirita; Vó Leopondina; Vó Filomena; Vó Joana; Vó Joaquina; Vó Rita; Vó Mariana; Vó Guilhermina; Mãe Benta; Mãe Maria; Etc...
Falanges ligadas a Preto Velho:

1 – Falange da Costa (Rei Cambinda) 2 – Falange de Congo (Rei Congo) 3 – Falange de Angola – (Pai Joaquim) 4 – Falange de Guiné (Pai Guiné) 5 – Falange de Moçambique (Pai Gerônimo) 6 – Falange de Luanda (Povo Oriente – Pai José) 7 – Falange de Bengala (Povo do Espaço – Pai Tomé)

Paulo de Oxalá

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

ORAÇÃO DE TRANCA RUA


ORAÇÃO DE TRANCA RUA


Faço reverência a vós mistério sagrado da criação, vós que sois a manifestação do divino, peço que possa se manifestar entre nós, conforme nosso merecimento. No seu poder, na sua força, e na sua magnitude, pelo caminho tripolar que emana de vós, pelo caminho que só vós conheceis, pela força que só a vós pertenceis, e pelo poder de trancar a vós concedido, eu peço:

Que as trevas que habitam em mim sejam trancadas.

Que o ódio e o sentimento impuro, que emanam da minha alma, sejam trancados.

Que a falsidade que exala dos meus poros seja trancada.

Que o rancor e a miséria que habitam o meu coração sejam trancados.

Que a dissimulação e a superficialidade, que nasce da minha língua, sejam trancados.

Que o egoísmo e a maldade, que transcendem da minha mente, sejam trancados.

Que a palavra torta que sai da minha boca e o pensamento roto que sai da minha cabeça contra o próximo, sejam trancados.

Que a capacidade que os meus olhos têm de amaldiçoar e destruir sejam trancados.

E assim, fonte primária da criação, assim que trancar a tudo isso no seu âmago, pois é na vossa essência que tudo isso se desvitaliza, peço a vós que:

Destranque todas as portas do meu caminho.

Destranque todas as passagens da minha jornada.

Destranque toda prosperidade material e espiritual.

Destranque o meu coração das amarguras.

Destranque o meu sustento de cada dia.

Destranque os meus corpos espirituais e o meu corpo material da agonia, do desespero e da aflição que me assolam na calada da noite.

Destranque o meu emprego, o meu negócio e a minha morada material.

Destranque o martírio familiar pelo qual eu tenho passado.

Destranque os meus olhos para as maravilhas do mundo espiritual.

Destranque a minha liberdade!

Pois vós, Força Sagrada do Divino Criador, é o portador supremo da Vitalidade!

Salve o Mistério Tranca-Ruas!!!

Laroiê!!!



Autor: Adelaide Scritori


terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Zélio Fernandino de Morais







Quem foi Zélio Fernandino de Morais?

Foi por intermédio do Sr. Zélio, com dezessete anos na época, nascido de uma família tradicional católica, que se manifestou pela primeira vez a entidade Caboclo das Sete Encruzilhadas.
Zélio teve uma inexplicável paralisia, que a medicina não conseguia explicar. Num certo dia, ergueu-se da cama e disse: “Amanhã estarei curado!”
E assim foi no dia seguinte: levantou-se e começou a andar, como se nada tivesse acontecido.
Um amigo da família, tendo conhecimento do ocorrido, sugeriu uma visita à Federação Espírita do Estado do Rio de Janeiro, (sediada na época em niterói e presidida pelo Sr. José de Souza).

No dia 15 de novembro Zélio foi convidado a participar da sessão. O Dirigente dos trabalhos espirituais determinou que ocupasse um lugar à mesa. Tomado por uma força estranha e superior a sua vontade, contrariando as normas que impediam o afastamento de qualquer dos componentes da mesa, Zélio levantou-se e disse: Aqui está faltando uma flor, saiu da sala foi ao jardim, voltando logo de seguida com uma rosa branca, que colocou no centro da mesa. Essa atitude quase que causou um tumulto. Restabelecidos os trabalhos, manifestaram-se espíritos que se diziam de pretos escravos e de índios, foram convidados a se retirarem, advertidos do seu estado de atraso espiritual. Mas novamente um força estranha dominou o jovem Zélio e ele começou a falar, sem saber o que dizia. Pois apenas conseguia ouvir a sua própria voz perguntar o motivo que levava os dirigentes dos trabalhos a não aceitarem a comunicação dos Espíritos e porque os consideravam atrasados, seria pela diferença de cor, ou mesmo da classe social. Seguiu-se um diálogo muito acalorado, e os responsáveis pela sessão tentaram doutrinar e afastar o Espírito desconhecido, que argumentava de uma forma muito segura.

Então um dos médiuns videntes resolveu perguntar: Porque é que o irmão fala desta forma, tentando assim influenciar a direcção a aceitar a manifestação de Espíritos que pelo grau de cultura que tiveram enquanto encarnados, são considerados Espíritos atrasados? - Por que fala desta forma, se estou vendo que me dirijo, neste preciso momento, a um jesuíta e que a sua veste branca reflete uma aura de luz? - Qual é o seu nome meu Irmão?

Foi então que o Espírito que utilizava o jovem Zélio como canal respondeu: - Se julgam atrasados os Espíritos dos pretos e dos índios, devo dizer que amanhã estarei na casa deste aparelho para dar início a um culto em que esses pretos e esses índios poderão transmitir a sua mensagem, e assim cumprir a missão que o Plano Espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados.
E se querem saber o meu nome, que seja este: Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque não haverá caminhos fechados para mim.
– Julga o Irmão que alguém irá assistir ao seu culto? – Perguntou com ironia o médium vidente. – Cada colina de Niterói actuará como porta voz, anunciando o culto que amanhã iniciarei.

No dia seguinte (dia 16 de novembro de 1908), toda a família de Zélio e inclusive ele próprio, estavam apavorados.

Nem ele mesmo sabia explicar o que se passava. Estava surpreso em por ter dialogado com aqueles austeros senhores de cabeça branca, em volta de uma mesa onde se praticava um trabalho para ele era desconhecido.

E como poderia ele aos 17 anos organizar um Culto?
No entanto, ele mesmo tinha falado sem saber o que dizia e porque o dizia. Era uma sensação muito estranha. Uma força superior que o impelia a fazer e dizer o que nem sequer passava pelo seu pensamento. No dia seguinte, em casa da sua família, na Rua Floriano Peixoto nº 30, em Neves, Niterói, ao chegar a hora marcada – 20 horas – já se haviam reunido os membros da Federação Espírita, com certeza para comprovarem a veracidade, do que havia sido declarado na véspera; os parentes mais chegados, amigos, vizinhos e do lado de fora estava um grande número de desconhecidos.

Então às 20 horas, manifestou-se o Caboclo das Sete Encruzilhadas. Declarando que se iniciava, naquele momento, um novo Culto em que Espíritos dos velhos africanos, que haviam servido como escravos e que desencarnados não encontravam campo de ação nos remanescentes das seitas negras e os índios nativos da nossa terra, poderiam trabalhar em benefício dos seus irmãos encarnados, fosse qual fosse a sua cor, raça, credo ou condição social. A prática da caridade no sentido do Amor Fraterno seria a característica principal desse novo Culto, que teria por base o Evangelho de Jesus e como Mestre Supremo Cristo.

O Caboclo definiu as normas do novo Culto. Sessões – assim se chamariam os períodos de Trabalho Espiritual – diários, dás 20 às 22 horas: os participantes deveriam estar vestidos de branco e o atendimento seria gratuito. Deu também um nome a esse novo movimento religioso que se iniciava, disse primeiro Allabanda, mas considerando que não soava bem a sua vibração substituiu-se por Aumbanda e mais tarde por Umbanda, palavra de origem Sânscrita. A casa de trabalhos espirituais que no momento se fundava recebeu o nome de Nossa Senhora da Piedade, porque assim como Maria acolhe o filho nos braços, também seriam acolhidos todos os que necessitassem de ajuda ou de conforto. Definidas as bases do Culto, após responder em Latim e Alemão às perguntas dos sacerdotes ali presentes, o Caboclo das Sete Encruzilhadas passou à parte prática dos trabalhos, curando enfermos, fazendo andar aleijados. Antes de acabar a sessão manifestou-se um Preto-Velho, Pai António, que vinha completar as curas.

E nos dias seguintes, verdadeiras romarias se formavam na Rua Floriano Peixoto. Enfermos, cegos, paralíticos vinham em busca de cura e ali a encontravam, em Nome de Jesus. Médiuns, cuja manifestação mediúnica fora considerada loucura, deixaram os sanatórios e deram provas das suas qualidades excepcionais.
Testemunhas que presenciavam o facto contam que os médicos dos sanatórios mandaram uma relação dos seus doentes e a entidade, incorporada em Zélio apontava as pessoas que eram portadoras de perturbações psíquicas: - Estes, eu posso curar – e os acolhia na residência do médium. Os outros eram realmente enfermos mentais; e sua cura competia à medicina.

Se a prática dos trabalhos maravilhava a todos e as curas se repetiam diariamente, a doutrina do culto era estruturada em reuniões semanais, às quintas-feiras, na residência de Zélio. O Caboclo das Sete Encruzilhadas explicava os seus conceitos de fraternidade e de humildade, lembrava as passagens principais do Evangelho, recomendava o procedimento correcto na vida material, o cuidado indispensável com a saúde, as normas de moral e o “ daí de graça o que de graça recebeste”. Dizia Ele: são três os perigos que ameaçam o médium: a vaidade, a consulente mulher o médium homem e vice-versa: e o dinheiro, a vil moeda que leva o homem a perder o carácter, e o médium que mercantilizar a sua missão, a faltar aos compromissos com o Mundo Superior.

Embora não seguindo a carreira militar a que se destinava, pois sua missão mediúnica não o permitiu, Zélio nunca fez profissão da mediunidade. Trabalhava para sustentar a sua família e inúmeras vezes contribuiu financeiramente para manter os templos que o Caboclo das Sete Encruzilhadas fundou.

Ministros, Industriais e Militares que recorriam ao poder mediúnico de Zélio para a cura de parentes enfermos e os viam recuperados, procuravam retribuir o benefício através de presentes ou passando cheques avultados. – “ Não os aceites!!! Devolve-os!! ! – “ ordenava o Caboclo. Zélio podia dizer de cabeça erguida: “ Nunca recebi um centavo pelas curas praticadas pelos guias. O Caboclo abominava a retribuição monetária ao trabalho mediúnico. Não há ninguém que possa dizer que pagou ou retribuiu a uma cura com dinheiro e no entanto foram curas aos milhares. Retribuíam, isto sim, com a sua fé, ajudando ao Trabalho do Caboclo e do Pai António, como cambonos ou assumindo a Direcção Material dos Templos fundados, ou participando na corrente mediúnica, quando tinham condições para isto.

Dez anos após a fundação da Tenda Nossa senhora da Piedade, registada com o nome de Tenda Espírita, porque na época não era permitido o registo de uma entidade com a especificação de Umbanda, o Caboclo das Sete Encruzilhadas declarou que se iniciava a segunda parte de sua missão: a criação de sete Templos, que seriam o núcleo do qual se propagaria a Religião de Umbanda. Os Dirigentes recebiam esclarecimentos nas aulas de quinta-feira e na Tenda da Piedade preparavam-se grupos que iriam formar os novos Templos.
E assim, sucessivamente as sete Tendas foram fundadas, a saber: Tenda Nossa Senhora da Conceição, Tenda Nossa Senhora da Guia, Tenda Santa Bárbara, Tenda São Pedro, Tenda Oxalá, Tenda São Jorge e Tenda São Jerónimo. Dezenas de Tendas foram fundadas sob a orientação do Caboclo das Sete Encruzilhadas no Estado do Rio, em São Paulo , em Minas Gerais , no Espírito Santo, no Rio Grande do Sul. Sempre que possível o médium Zélio participava da instalação das novas Tendas. Quando o trabalho material não o permitia, enviava médiuns capacitados para organizar e dirigir a nova Casa.

Em todo o Brasil existem Templos fundados directamente pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas ou descendentes deste. Alguns desvirtuaram-se dos seus princípios, outros mantém-se ainda fiéis as normas iniciais.

Em 1939, o Caboclo determinou que se funda-se uma Federação para congregar todos os Templos Umbandistas e que deveria ser o Núcleo Central desse Culto, em que o simples uniforme branco de algodão dos médiuns estabelecia a igualdade de classes e a simplicidade do ritual permitindo assim dedicar integralmente todo o tempo das sessões ao atendimento dos necessitados. O ritual preconizado pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas excluiu todo o supérfluo. Estas são palavras textuais de Zélio Fernandino de Morais: - “ O Caboclo das Sete Encruzilhadas nunca determinou o sacrifício de aves e animais, quer para homenagear entidades, quer para fortificar a minha mediunidade!!!”

Nas sessões apenas os cânticos muitos firmes e ritmados para incorporação dos guias e a manutenção da corrente vibratória. O uniforme é branco, de tecido simples, as guias usadas são apenas as que determinam a entidade que se manifesta. Os banhos de ervas, os amacis, as concentrações nos ambientes da natureza, a par do ensinamento a base do Evangelho, constituem os principais elementos de preparação do médium. São rigorosos os testes que levam a considerar o médium apto a cumprir a sua missão mediúnica.

A tarefa que tomou sobre os seus ombros o Caboclo das Sete Encruzilhadas – Organizar a Lei da Umbanda no Brasil – é um verdadeiro milagre de fé que nos leva a um sentimento de profundo respeito por essa Entidade de uma grande humildade. É a Ele que se deve a purificação dos trabalhos nos terreiros. Não veio para destruir o ritual mas sim dar-lhe força e método. Manter a sua pureza e propaga-lo com sua Maravilhosa organização. O que todos nós lhe devemos é inestimável, jamais poderemos retribuir os benefícios espalhados por Ele e pelos Espíritos que acorreram ao seu chamado.


A mensagem seguinte, foi gravada em 1971 por ocasião do Sexagésimo Terceiro Aniversário da Tenda Nossa Senhora da Piedade:

A Umbanda tem progredido e vai progredir. É preciso haja sinceridade, honestidade, e eu previno sempre aos companheiros de muitos anos: a vil moeda vai prejudicar a Umbanda, médiuns que vão se vender e que serão, mais tarde, expulsos como Jesus expulsou os vendilhões do Templo. O perigo do médium homem é a consulente mulher , o da médium mulher é o consulente homem. É preciso estar sempre de prevenção, porque os obsessores que procuram atacar as nossas Casas fazem que toque alguma coisa ao coração da mulher que fala ao Pai de Terreiro, como ao coração do homem que fala à Mãe de Terreiro. É preciso ter muito cuidado e haver moral para que a Umbanda progrida.

Umbanda é humildade, amor e caridade - essa é a nossa bandeira. Neste momento meus irmãos, me rodeiam diversos espíritos que trabalham na Umbanda do Brasil: Caboclos de Oxóssi, de Ogum, de Xangô. Este que vos fala , porém é da falange de Oxóssi, meu Pai, e não veio por acaso, trouxe uma Ordem, uma Missão.

Meus Irmãos, sejam humildes, tenham amor no coração, amor de irmão para irmão, pois as vossas mediunidades ficarão mais puras, servindo aos espíritos superiores que venham baixar entre vós, é preciso que os aparelhos sejam sempre limpos, os instrumentos afinados com as virtudes que Jesus pregou na Terra, para que tenhamos boas comunicações e protecção para aqueles que vêm em busca de socorro nas Casas de Umbanda.

Meus Irmãos, este aparelho já esta velho com 80 anos a fazer, mas começou antes dos 18. Posso dizer que o ajudei a casar para que não estivesse a dar cabeçadas, para que fosse um médium aproveitável e que pela sua mediunidade eu pudesse implantar a nossa Umbanda.

A maior parte dos que trabalham na Umbanda, se não passaram por esta Tenda, passaram pelas que saíram desta Casa.

Tenho uma coisa a vos pedir: se Jesus veio ao Planeta Terra na humilde manjedoura, não foi por acaso, assim o Pai determinou, podia ter procurado a Casa de um Potentado da época, mas foi escolher aquela que havia de ser a sua Mãe, esse Espírito que viria a traçar à Humanidade os passos para obter paz, saúde e felicidade.

Que o nascimento de Jesus, a humildade em que Ele baixou à Terra, a Estrela que iluminou aquele estábulo, sirvam de exemplos, iluminando os vossos espíritos , tirando os escuros de maldade por pensamento, por práticas e acções, que Deus perdoe as maldades que possam ter sido pensadas, para que a paz possa reinar em vossos corações e nos vossos lares.

Fechai os olhos para a Casa do vizinho, fechai a boca para não murmurar contra quem quer que seja, não julgueis para não serdes julgados, acreditai em Deus e a paz entrará em vosso lar, é dos Evangelhos.

Eu, meus Irmãos, como o menor Espírito que baixou à Terra, mas amigo de todos, numa concentração perfeita dos companheiros que me rodeiam neste momento, peço que eles sintam a necessidade de cada um de vós e que ao saírem deste Templo de caridade encontreis os caminhos abertos, vossos enfermos melhorados e curados e a saúde para sempre em vossa matéria.

Com um voto de paz, saúde e felicidade, com humildade, amor e caridade, sou e serei sempre o humilde Caboclo das Sete Encruzilhadas.”


Zélio Fernandino de Moraes retornou ao plano espiritual no dia 3 de outubro de 1975, contando com 84 anos de idade e 67 de sua mediunidade positiva e caridosa junto ao Espírito amigo do Caboclo das sete Encruzilhadas. Paz e Luz ao seu Espírito amigo, tolerante e humilde. Deus te abençoe Querido Irmão!!!
Portanto a Umbanda não é Candomblé. A Umbanda não é Espiritismo. A Umbanda é a Umbanda.
São religiões distintas, que possuem sua própria dinâmica, ritos, cantos litúrgicos e particularidades.
A língua falada na Umbanda é o Português, pois é a língua oficial brasileira, portanto, a língua que falamos.
A Umbanda é brasileira.

(Texto parcialmente adaptado do Livro Umbanda Cristã e Brasileira. De Jota Alves de Oliveira. Editora Ediouro.)

Prece de Cáritas


Prece de Cáritas



Deus,

nosso Pai,

que sois todo Poder e Bondade,

dai a força àquele que passa pela provação,

dai a luz àquele que procura a verdade;

ponde no coração do homem a compaixão e a caridade!

Deus,

Dai ao viajor a estrela guia,

ao aflito a consolação,

ao doente o repouso.

Pai,

Dai ao culpado o arrependimento,

ao espírito a verdade,

à criança o guia,

e ao órfão o pai!

Senhor,

que a Vossa Bondade se estenda sobre tudo o que criastes.

Piedade, Senhor,

para aquele que Vos não conhece,

esperança para aquele que sofre.

Que a Vossa Bondade permita aos espíritos consoladores derramarem por toda a parte a paz,

a esperança e a fé.

Deus,

um raio de luz,

uma centelha do Vosso Amor pode abrasar a Terra;

deixai-nos beber nas fontes dessa bondade fecunda e infinita,

e todas as lágrimas secarão,

todas as dores se acalmarão.

E um só coração,

um só pensamento subirá até Vós,

como um grito de reconhecimento e de amor.

Como Moisés sobre a montanha,

nós Vos esperamos com os braços abertos,

ó Poder!,

ó Bondade!,

ó Beleza!,

ó Perfeição!,

e queremos de alguma sorte merecer a Vossa Divina Misericórdia.

Deus,

dai-nos a força de ajudar o progresso a fim de subirmos até Vós;

dai-nos a caridade pura,

dai-nos a fé e a razão;

dai-nos a simplicidade que fará de nossas almas o espelho onde se reflectirá a Vossa Imagem.

Que assim seja!!


 


Que Oxalá ilumine os vossos caminhos meus Irmãos, ....Axé.