terça-feira, 20 de julho de 2010

O LAMENTO DE UM PETRO VELHO

 

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Sofri no eito,
Sofri na senzala,
Quanta dô em meu peito!

Chorei, sofri,
Apanhei de todo o jeito
De sofrer quase morri
Quanta dô em meu peito!

Suor, lágrima, derramei,
De dor, de saudade, chorei,
Sob o sol, sob a chuva no eito.
Quanta dô em meu peito!

Veio a liberdade,
Ainda assim eu chorei,
De alegria é verdade.
A tristeza não deixei,
Negro é assim, não tem jeito.
Quanta dô em meu peito!

Morto, ao mundo voltei.
Ouço queixa e sofrimento
Em todos os terreiros.
É o continuar do meu lamento!


Augusto dos Anjos – Editora Nova Aguilar.